OTITE MÉDIA AGUDA

 

É uma infecção bacteriana ou virótica do ouvido médio, geralmente secundária a uma IRA. Ela pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas é mais comum em crianças pequenas, particularmente entre 3 meses a 3 anos. Os microrganismos podem migrar da nasofaringe para o ouvido médio pela superfície da membrana mucosa do tubo eustaquiano ou podem se propagar através da membrana mucosa da própria lâmina e em casos de celulite ou tromboflebite.

 

Etiologia

 

Em recém-nascidos, os bacilos Gram-negativos da flora intestinal, particularmente a Escherichia coli, e o Staphylococcus aureus causam a otite média supurativa. Em lactentes maiores e em crianças pequenas (< 14 anos), os microrganismos causadores são o Streptococcus [Diplococcus] pneumoniae, Hemophilus influenzae, estreptococos b-hemolíticos do Grupo A, Branhamella catarrhalis e S. aureus. A otite média virótica geralmente é infectada secundariamente por um destes agentes. Nas crianças > 14 anos é menos comum a infecção por H. influenzae; os principais microrganismos responsáveis são o S. pneumoniae, estreptococos b-hemolíticos do Grupo A e S. aureus. A freqüência relativa dos microrganismos identificados que causam otite média aguda varia de acordo com a prevalência de cada um em uma comunidade, numa dada época do ano. Após o período neonatal, a E. coli raramente é responsável por otite média aguda. Do mesmo modo, a Klebsiella pneumoniae e Bacteroides spp raramente causam otite média aguda.

 

Sintomas, sinais e complicações

 

A queixa inicial geralmente é otalgia intensa e persistente. Pode ocorrer hipoacusia. Em crianças pequenas podem ocorrer febre (até 40,5°C [105°F]), náuseas, vômitos e diarréia. A membrana timpânica mostra-se eritematosa e pode estar abaulada; os pontos de referência tornam-se indistintos, e o triângulo luminoso fica deslocado. Após a perfuração espontânea da membrana timpânica, pode ocorrer otorréia sanguinolenta, seguida de otorréia serossangüínea, tornando-se a seguir, purulenta.

As complicações graves incluem mastoidite aguda, petrosite, labirintite, paralisia facial, hipoacusia neurossensorial e condutiva, abscesso epidural, meningite (a complicação intracraniana mais comum), abscesso cerebral, trombose do seio lateral, empiema subdural e hidrocefalia otogênica. Os sintomas de uma complicação iminente incluem cefaléia, hipoacusia profunda e súbita, vertigem, calafrios e febre.

 

Diagnóstico e tratamento

 

O diagnóstico geralmente é clínico. Deve-se solicitar a cultura do exsudato obtido durante a miringotomia e da otorréia espontânea. As culturas nasofaríngeas podem ser úteis, mas não se correlacionam bem com o agente causal.

A antibioticoterapia está indicada na otite média aguda para aliviar os sinto-mas, acelerar a resolução da infecção, reduzir a probabilidade de complicações5943 labirínticas e intracranianas e reduzir a probabilidade de seqüelas ao mecanismo de audição do ouvido médio.

A penicilina G ou V 250mg, VO, cada 6h por 12 dias é o tratamento de escolha em pacientes > 14 anos. Dá-se preferência à amoxicilina 35 a 70mg/kg/ dia, VO, em 3 doses iguais cada 8h por 12 dias para crianças < 14 anos por causa da freqüência das infecções por H. influenzae. O tratamento deve ser mantido por 12 a 14 dias para que o processo se resolva e para prevenir as seqüelas. A terapia subseqüente depende das culturas, sensibilidade e evolução clínica. Quando o paciente é alérgico à penicilina, pode-se administrar a eritromicina 250mg, VO, cada 6h para crianças mais velhas e adultos, e uma associação de eritromicina 30 a 50mg/kg/dia, VO, em doses igualmente divididas, a cada 6h e sulfisoxazol 150mg/kg/dia, VO, em doses igualmente divididas, a cada 6h para crianças < 14 anos, por 12 a 14 dias. As sulfonamidas são contra indicadas em lactentes < 2 meses de idade. Como alternativa, o trimetoprim/sulfametoxazol (TMP/SMX) pode ser usado para tratar otite média aguda, em lactentes > 2 meses de idade e crianças: 8mg/kg/dia de TMP e 40mg/ kg/dia de SMX em 2 doses fracionadas cada 12h durante 10 dias, e em adultos: 160mg de TMP e 800mg de SMX cada 12h durante 12 dias. Em casos resistentes, pode ser usada uma cefalosporina, como cefaclor (em crianças: 20mg/kg/ dia em doses fracionadas de cada 8h durante 12 dias, em adultos: 250mg cada 8h durante 12 dias), cefuroxima (em crianças < 2 anos: 125mg cada 12h durante 12 dias, em crianças de 2 a 12 anos: 250mg cada 12h durante 12 dias, e em adultos: 500mg cada 12h durante 12 dias), cefalexina (em crianças: 75mg/kg/diaem 4 doses fracionadas durante 12 dias, e em adultos: 500mg cada 6h durante 12 dias) ou cefixima (em crianças: 8mg/kg/dia em 2 doses fracionadas durante 12 dias, e em adultos: 200mg cada 12h durante 12 dias).

Para melhorar a função tubária eustaquiana, podem ser usados vasoconstritores tópicos, como a fenilefrina a 0,25%, 3 gotas a cada 3h em cada narina, com o paciente em posição supina, com o pescoço estendido. Esta terapia não deve ser mantida por mais de 5 a 7 dias. O uso de aminas simpaticomiméticas sistêmicas como o sulfato de efedrina, pseudoefedrina ou fenilpropanolamina 30mg VO (para adultos) a cada 4 a 6h, por 7 a 10 dias, também pode ser útil. Os anti-histamínicos como a clorfeniramina 4mg (para adultos), VO, cada 4 a 6h, por 7 a 10 dias pode promover a melhora da função tubária eustaquiana em pacientes alérgicos, mas não estão indicados em pacientes não alérgicos.

Deve-se considerar a indicação de miringotomia, se a membrana timpânica estiver abaulada ou se a dor, febre, vômitos e diarréia forem acentuados ou persistentes. A audição do paciente, a timpanometria, o aspecto e a mobilidade da membrana timpânica devem ser monitorados até a completa resolução.

 

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