ENXERTOS

O enxerto de pele corresponde ao transplante, em que é feita retirada completa de uma parte do tegumento cutâneo e transferida para um outro lugar do corpo. Neste leito este tecido adquire um novo suprimento sangüíneo que assegura a viabilidade das células transplantadas.

Os enxertos denominam-se:

·         Auto-enxertos: doador e receptor mesma pessoa

·         Homoenxertos: doador e receptor são indivíduos diferentes e de mesma espécie.

·         Xenoenxertos: indivíduo e receptor são indivíduos de espécie diferentes.

A pele é dividida em duas camadas: epiderme e derme.

A epiderme é um epitélio escamoso, estratificado, estriado e se compõe, por sua vez, de duas camadas uma mais superficial, que é o estrato córneo e uma mais profunda, o estrado germinativo, onde ocorrem as mitoses.

A derme é composta por duas camadas: a papilar, mais superficial e a reticular mais profunda. A derme é rica em fibras colágenas e elásticas, que conferem á  pele sua capacidade de distender-se e contrair-se.

 

TIPOS DE ENXERTO

Enxertos cutâneos de espessura parcial: aqueles que contêm epiderme e parte da derme, chamados enxerto de pele parcial; ainda podem ser subdivididos em finos, médios e espessos

Enxertos cutâneos de espessura total: aqueles que englobam a epiderme e a totalidade da derme, também chamados enxertos de pele total.

 

FORMAS DE ENXERTO

Enxerto em estampilha: enxertos cutâneos de espessura parcial, em pequenos fragmentos, muito utilizados para reparar áreas de perda de substância, ferimentos abrasivos, queimaduras, úlceras crônicas, muitas vezes com objetivo de combater uma infecção rebelde a tratamentos convencionais. Esta técnica tem resultado estético muito pobre pela proliferação epitelial entre uma estampa e outra.

 

·         Enxerto em malha: Com o expansor de Tanner, o enxerto de pele parcial sofre pequenos cortes em toda a superfície. Com isso pode ser submetido a uma distensão, abrangendo uma área maior de proporção 3:1 e 1,5;1. Esta técnica tem grande valor principalmente naqueles pacientes cuja área doadora é restrita, como nos grandes queimados.

·         Enxerto em tiras: enxertos de pele parcial que podem ser classificados como fino (0,015 cm a 0,020 cm), intermediário (0,020 cm a 0,035 cm) ou espesso (0,035 cm a 0,053 cm) e são obtidos com aparelhos próprios, que são os dermátomos ou as facas manuais.

 

INDICAÇÕES DOS ENXERTOS CUTÂNEOS

·         Enxertos de pele total: tem capacidade de mimetizar mais facilmente a pele normal. Dão uma cobertura mais resistente  e são menos sujeitos á contração secundaria, trazendo um melhor resultado estético e funcional. Seu uso, porém fica restrito a pequenas lesões, em geral de face, pálpebras perdas parciais da ponta do nariz, mãos e dedos, isto pela exigüidade da área doadora.

·         Enxertos de pele parcial: tem uma gama maior de uso. Podem ser aplicados em caráter definitivo ou mesmo temporário, como curativo biológico. Esse tipo de enxertos são resistente, proporcionando uma boa cobertura e podem ser usados em qualquer superfície corporal, mesmo com leito vascular pobre, como ulceras crônicas, cavidade orbitaria e no tratamento de queimados.

 

PLANEJAMENTO CIRÚRGICO

O sucesso da enxertia depende de um planejamento cirúrgico adequado. A indicação do tipo de enxerto a ser usado, fino, médio ou total, a escolha da área doadora e o preparo rigoroso ao leito receptor e a fixação do enxerto são fatores determinantes na integração deste enxerto.

 

AREA DOADORA

Pele Total: Depende de três fatores que são:

·         Tipo de cobertura requerida

·         Extensão

·         Localização do de defeito

Pode ser obtido de qualquer região do corpo, preferentemente onde tiver apoio ósseo.

 

LEITO RECEPTOR

O leito receptor ideal deve ser limpo, sem infecção, bem vascularizado e não muito extenso, evidenciando por uma granulação firme , viva e plana.

 

TÉCNICA CIRÚRGICA

RETIRADA DO ENXERTO

O enxerto era obtido com lâminas livres comuns, sendo necessária grande habilidade para se conseguir uma certa regularidade na espessura. Humby idealizou uma faca com um rolo na frente lamina para regulagem do enxerto. Hoje os mais utilizados são dermátomos elétricos.

 

ENXERTIA

Os enxertos de pele total, quando retirados , sofrem uma contratura primária devido ao grande número de fibras  colágenas que levam na sua espessura. Porém estão menos sujeitos á contratura secundária proporcionada pela contração do leito receptor. Os enxertos de pele parcial, ao contrario sofrem menor contratura primária e maior contratura secundária. Por isso é necessário que se fixem, com pontos, os enxertos de pele total e que exerçam compressão  sobre os mesmos, principalmente em áreas de mobilidade para que haja um  bom contato leito-enxerto e a integração deste.

Para os enxertos de pele parcial, fixação pode ser feita com pontos de náilon ou fita adesiva. Também podem ser colocados diretamente sobre a área receptora sem fixação.

 

TRATAMENTO DA ÁREA DOADORA

Nos enxertos de pele total  a área doadora é fechada por sutura direta sempre que possível ou por enxerto de pele parcial nas grandes retiradas.

Nos enxertos de pele parcial a área doadora é tratada pelo mesmo método que a área enxertada (curativo oclusivo)

     

RESULTADOS E LIMITAÇÕES

INTEGRAÇÃO DOS ENXERTOS

A integração dos enxertos de pele depende do rápido restabelecimento de uma circulação adequada, o que ocorre em fases distintas.

·         Fase de embebição plasmática. O enxerto se nutre nas primeiras 48 horas por embebição no plasma  do leito receptor.

·         Fase vascular. Após 48 horas, inicia-se a irrigação sangüínea no enxerto, sendo o edema eliminado. A nutrição é feita através dos condutores vasculares estabelecidos entre o enxerto e o leito, iniciando-se  o fluxo sangüíneo.

·         Fase de neovascularização. Nesta fase inicia-se a formação de novos  capilares entre o leito receptor e enxerto.

 

COMPLICAÇÕES

A morte do enxerto está relacionada quase sempre a hematoma e infecção. Seroma também é causa de falha de enxertia, devido á epitelização da superfície do derma provinda dos folículos cortados . A simples evacuação não resolve o problema; o epitélio neoformado deve ser curetado.

Quando houver formação de tecido de granulação  exuberante, deverá ser  removido para diminuir a flora bacteriana e nivelar o leito, o que pode ser feito com a própria faca ou bisturi por raspagem.

Outra complicação relaciona-se á alteração da pigmentação do enxerto ou da área doadora, a qual poderá ser tratada por abrasão, maquiagem, tatuagem ou enxertos superpostos.

 

ENXERTOS COMPOSTOS

 

São definidos como sendo a transferência de um conjunto de tecidos histologicamente diferentes, porem interconectados anatomicamente.

O tipo mais comum de transferência e o enxerto composto de pele e cartilagem da orelha, que consiste num segmento de cartilagem auricular coberto de um ou ambos os lados cobertos de pele, em geral para restauração de defeitos nasais.

 

ENXERTOS COMPOSTOS DE PELE E CARTILAGEM

As pequenas perdas de substancia do terço inferior do nariz constituíam, no passado, importantes problemas par reparação em cirurgia plástica.O enxerto composto de pele e cartilagem permitiu que se corrigissem tais deformidades num só tempo cirúrgico com o mínimo de cicatrizes, ou seqüelas no pós operatório.

 

INDICAÇÃO

A indicação inicial para reparar a perca da asa do nariz, ampliou o tratamento de lesões do terço inferior do nariz, como a ponta ou fossa nasal, podendo estender-se seu emprego a outras regiões da face.

 

OBTENÇÃO E UTILIZAÇÃO

É dependente da forma e característica do defeito a ser corrigido. As porções mais utilizadas como doadoras são:

·         Anti-hélix

·         Concha auricular

·         Pólo superior auricular.

O anti-helix é aproveitado em defeitos próximos à ponta, columela e asa nasal. A concha auricular usam-se para reparação forro e asa nasal. O polo superior auricular é para asa nasal.

 

CURATIVO

Deve-se tomar o maior cuidado possível quanto a curativos desta natureza com atenção especial para as bordas das lesões.

 

ENXERTOS DERMATOGORDUROSO

Constitui um tipo de enxerto composto do qual participa a pele e tecido subcutâneo, sua principal indicação é  substituição de partes moles para preenchimento de falhas no contorno corporal, como deformidade orbitária, hemiatrofia facial, hipoplasia mamaria.

 

ÁREAS DOADORAS

Tem-se como principais áreas a parede abdominal e região glútea

 

ÁREAS RECEPTORAS

Condições básicas para aceitação do enxerto:

·         leito bem vascularizado;

·         ausência de infecção.

·         Boa revisão hemostática

·         Bom posicionamento do mesmo

·         Fixação com fio adequado.

 

ENXERTOS COMPOSTOS CONDROMUCOSOS

Podem  ser utilizados nas reconstruções do septo nasal e unilaterais do nariz envolvendo a asa do nariz.

 

ÁREA DOADORA

As mais utilizadas é a área do septo nasal.

 

Marcos Alexandre Ekermann, RA.: 1077-2 , Turma B5, 5°ano .

 

 

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