CANDIDÍASE GENITAL

 

Etiologia

 

Infecções fúngicas do trato genital provocadas por Candida albicans são cada vez mais freqüentes, especialmente em mulheres. Não é comum que se-jam transmitidas sexualmente, sendo que a infecção geralmente se dissemina a partir da pele ou flora intestinal normais da paciente. A incidência aumentada deve-se primariamente ao uso difundido de antibióticos de amplo espectro e ao grande número de mulheres utilizando contraceptivos orais, embora métodos diagnósticos melhores possam também contribuir. Outros fatores pre-disponentes incluem gravidez, menstruação, diabetes melito, roupas íntimas constritivas e a utilização de drogas imunossupressoras e corticosteróides. A candidíase sistêmica  é evidência de doença de base grave ou anormalidade imunológica e raramente é uma complicação de infecção genital.

 

Sintomas e sinais

 

As mulheres geralmente desenvolvem irritação vulvar e leucorréia. Freqüentemente a irritação é grave e a secreção é escassa. A vulva pode estar hiperemiada e edemaciada, com escoriação e fissuras. A parede vaginal pode estar coberta com uma substância branca, com aspectos de queijo ou pode parecer normal. Os homens freqüentemente têm menos sintomas, mas podem se queixar de irritação e dor na glande do pênis e prepúcio, especialmente após relação sexual. Ocasionalmente eles podem notar uma secreção uretral discreta. A glande do pênis e o prepúcio são hiperemiados ao exame e pode haver vesículas ou erosões. Substância branca com aspecto de queijo pode estar aderida à superfície. Em casos graves o prepúcio pode estar edemaciado, provocando fimose (estreitamento do prepúcio).

 

Diagnóstico

 

Um diagnóstico imediato pode ser feito colhendo esfregaços da vagina, glande ou prepúcio e procurando a C. albicans ao microscópio pelo método de Gram com hidróxido de potássio (os microrganismos são Gram-positivos, ovais, germinativos, semelhantes a fungos apresentando uma pseudo-hifa filamentosa típica alongada). Meios de cultura também devem ser semeados; este procedimento aumenta o número de resultados positivos em 25% e confirma a presença de C. albicans. Como a candidíase raramente é transmitida sexualmente, devem ser feitos testes para detecção de DST coexistentes, se indicados por dados clínicos ou epidemiológicos.

 

Tratamento

 

Uma vez que o diagnóstico e a causa de base tenham sido identificados, as condições predisponentes, como antibioticoterapia, devem ser controladas para evitar recorrências.

A candidíase vaginal pode ser tratada localmente com: 1. clotrimazol, um comprimido vaginal de 100mg/dia durante 6 dias ou 200mg/dia durante 3 dias; 2. miconazol 200mg/dia intravaginal durante 3 dias. 3. butaconazol, creme a 2%, 5g/dia, intravaginal durante 3 dias; ou 4. terconazol, um supositório de 80mg/dia durante 3 dias ou creme a 0,4%, 5g/dia durante 7 dias. Todos estes agentes são administrados diariamente ao deitar. Um esquema oral de cetoconazol 200mg, 2 vezes por dia durante 6 dias produz resultados satisfatórios.

A balanopostite por cândida é tratada por lavagem cuidadosa dos genitais com água e sabão, secado com toalha limpa e aplicando creme de nistatina 2 vezes por dia durante 7 a 10 dias. A uretrite pode ser tratada com irrigações diárias de uma suspensão de 100.000u/mL de nistatina, mas geralmente é se-cundária à balanite e não necessita de tratamento adicional.

A recaída é comum em ambos os sexos e pode ser devido à reinfecção pelo parceiro sexual ou, mais comumente, a partir da flora normal em associação com uma condição predisponente. Ocasionalmente as pílulas anticoncepcionais precisam ser interrompidas por vários meses durante o tratamento. As mulheres que necessitam de antibióticos de forma recorrente ou por períodos prolongados ou apresentam outras predisposições inevitáveis podem necessitar de profilaxia com qualquer dos esquemas terapêuticos.

 

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